Um olhar sobre Admirar
Admiro pessoas que escrevem coisas bonitas sobre assuntos e coisas que são tão presentes em nossas vidas quem nem nos damos conta. A vida seria muito mais fácil se vivêssemos poesias.
Quando se tem sensibilidade para perceber o melhor das coisas, qualquer coisa é inspiração para frases bonitas e para sentimentos bons. E as mesmas coisas que fazemos todos os dias não são vistas como rotina.
Agora, exatamente nessa hora em que escrevo esse post, estou cansada. Cansada de um dia inteiro de trabalho e muita correria.
Como dizer coisas bonitas sobre o tempo se é contra ele que sempre corremos? Sendo Carlos Drummond de Andrade, talvez...
"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dăo para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovaçăo e tudo começa outra vez,com outro número e outra vontade de acreditar,que daqui para diante vai ser diferente."
(Carlos Drummond de Andrade)
Olhar as coisas pelo lado bom, não muda a realidade mas a torna mais fácil. Ou apenas nos ajuda a enxergá-la apenas como ela realmente é.
“Aqui está algo definitivo, algo real. Quando, acordando de um sonho de horror à meia-noite, ligeiro acendemos a luz e ficamos quietos, adorando a cômoda, adorando a solidez, adorando a realidade, adorando o mundo impessoal que prova que há outro existir além do nosso. É disso que queremos ter certeza... É agradável pensar na madeira.”
(Virginia Woolf)
Quem me dera viver tanta poesia. Talvez ser um admirador assíduo transforme nossas mentes. É uma pena que eu veja o tempo como um adversário tão real quanto a madeira.
* Bruxa Aline, não tenho culpa. Seu post me inspirou.
Escrito por Xampu ou Condicionador às 19h39
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Pausa no diário de adolescente!!!
Taqul awana du k'sra, taloo!
Eu nunca gostei de comemorar aniversário. Só o meu. O dos outros eu adoro. Nunca tive motivo especial para isso e não sei porque não gosto. Aliás, também só assumo publicamente 19 dos meus anos. E hoje, mais do que nunca, não gosto de comemorar meu aniversário.
Porém acho muito curiosa a relação que diferentes culturas, sociedades e até mesmo diferentes pessoas têm com essa data anual de nossas vidas. Alguns não comemoram, outros comemoram mas não dizem a idade que têm, uns dão festas grandiosas, outros apenas um jantar e depois de umas 7 décadas é muito comum pessoas aumentando orgulhosas a própria idade.
Mas um dos exemplos mais curiosos dessa relação com a comemoração de aniversário é a do extinto povo de Shakr.
Segundo a crença shakrita, um aniversário só tinha direito de ser comemorado caso o aniversariante tivesse realizado pelo menos três experiências pessoais significativas e com elas tivesse aprendido e evoluído.
Em sua data de aniversário, cada cidadão expunha suas realizações num tribunal constituído por três anciãos que julgavam sua validade e importância. Caso reprovadas as realizações, ao invés de presentes e bolo com velinhas, o aniversariante recebia uma corrente com um medalhão onde lia-se a palavra “inútil”. O cidadão era obrigado a circular com ela durante todo dia de seu aniversário.
Era direito e dever cívico de toda sociedade, dar um peteleco ou um tapão na nuca (chamado péba) do ser humano que carregasse tal adorno no pescoço. Geralmente o castigo vinha acompanhado da frase no rebuscado idioma shakrita: "Taqul awana du k'sra, taloo!" ("Faça alguma coisa de sua vida, vagabundo!")
Devido a muitas divergências quanto à validade das experiências pessoais dos cidadãos shakritas, essa prática foi abolida. Inclusive, uma delas era o caso de uma adolescente que afirmava entre suas realizações importantes e evolutivas o fato de ter engravidado de um pagodeiro.
Algum tempo depois, o povo shakrita também foi aniquilado. Não pela perda desse costume, claro, mas as constantes divergências são consideradas o motivo principal da primeira das dezessete Grandes Guerras Civis de Shakr. Ou porque Shakr foi na verdade invadida e varrida do mapa pelo gigante de Go, rei de Nobed.
Seja como for, essa civilização deixou (pelo menos para os que se deram o trabalho de conhece-la, como eu) uma mensagem importante ou um assunto para se refletir um pouco. Será que quando chega nossa hora de comemorar mais um ano de vida realmente possuímos pelo menos as três realizações pessoais importantes ou somos merecedores dos pebas? Felizmente ainda tenho quatro meses pra refletir e tomar alguma atitude.
Escrito por Xampu ou Condicionador às 15h59
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Olha quero deixar bem claro que às vezes a gente não presta atenção e bem que merece ser chamada de topeira, mas às vezes a gente é inocente. Nesse dia a gente foi a vítima.
Era sexta-feira a noite e a gente não queria ir para balada, mas também não tínhamos outra coisa para fazer. Ficar em casa, nem pensar! Consultamos os filmes que estavam em cartaz no Cinemark, nada para assistir. No Cine Cultura estava em cartaz um musical brasileiro. Eu odeio musicais, nunca nem consegui assistir um até o fim.
Mas depois do tal musical haveria uma palestra com um dos atores: Antônio Pitanga. Fomos.
Tudo bem que eu não gosto de musicais, mas eu já estava conformada em assistir. Sem contar que a idéia do filme era até legal. E era melhor do que ficar em casa. Pois é, não foi dessa vez. Dá pra acreditar que o projetor do cinema queimou !?!!?
E foi a nossa sorte. O ator, que ia falar sobre o filme acabou fazendo uma palestra interessantíssima sobre cinema novo. Contou muitas curiosidades, as dificuldades dessa época, histórias de bastidores...
Bom, a palestra acabou cedo demais para irmos para casa. Ligando para nossas amigas, encontramos uma que ia pro Tango (boate) e tinha convite para nós. Não adianta, quando a gente não quer ir pra balada tudo acontece pra gente ir. Fomos.
- Mas a gente vai lá vestidas assim?
- Eu não vou trocar.
- Então nem eu.
Belíssimas e produzidas para ir apenas num cineminha, chegamos no Tango antes da amiga, que veio de outra festa. Imaginem o estado da garota! Só perdia pra amiga que tava com ela... Engraçadíssimas!!!
O Tango estava ótimo, apesar da pista estar mais perto de ser uma piscina e de ter saído uma briga adivinha onde? Do nosso lado, claro!
Tudo corria bem até as 4 horas, parecia até que a gente tinha descontado o cinema que deu errado. Daí tocou um forró.
Fomos embora. Uma noite que começou com um projetor queimado não ia acabar bem mesmo...
Escrito por Xampu ou Condicionador às 15h13
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Desde que saimos do nosso antigo emprego, ficamos longe de pessoas muito legais, que eram nossos colegas de trabalho. Por isso, sempre que podemos combinamos com eles, ou com alguns deles para almoçar ou sair e conversar um pouco. Porque saudade é uma coisa que ninguém merece. Nem mesmo duas topeiras.
Você aceitaria o convite de duas topeiras para sair? Eu não. Mas a Fabi aceitou. Azar, vai pagar o mico junto...
Nosso destino, uma sorveteria, foi escolhido pela Fabi e seu vício em banana split. Eu e a Rita optamos pelo self service e a Fabi fez o pedido da banana split e esperou sentadinha na mesa, tal qual uma madame.
Eu pesei o meu sorvete primeiro e paguei. A Rita pesou o dela alguns minutos depois, e pagou.
Depois de tomados os sorvetes, fomos embora. Já no carro, só pra garantir que a Fabi não tinha pagado o sorvete dela, já que tínhamos combinado que ela era a convidada e não poderia pagar, surge a dúvida:
- Quem pagou a banana split?
Bem, é como eu já disse antes. Eu confio na Rita e acho que ela confia em mim. (E isso tá ficando lucrativo).
Escrito por Xampu ou Condicionador às 15h55
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Eu confio na Rita. E acho que a Rita confia em mim. Não fosse isso, porque a gente se veria em situações como a seguinte?
O trabalho já estava pronto. Era só pegar na gráfica e levar no cliente. Um motoboy poderia fazer isso.
- Mas a gente podia ir e depois assistir um filme no Cine Cultura.
- Ótimo! Que idéia boa!
O relógio estava a nosso favor. Teríamos tempo até para fazer um lanchinho antes do filme. Ai, ai. Doce ilusão...
Nosso cliente ficava quase no centro da cidade e a gráfica, bem a gráfica a gente não sabia muito ao certo. Ta bom, a gente não fazia idéia do endereço mesmo. O nome da rua era Tal. Pegamos a lista telefônica para nos guiar.
Depois de um bom tempo se guiando pela lista (“perdidas” também serve), achamos a rua Tal. Agora tava fácil.
- Que número é?
- Você não sabe?
- E o nome da gráfica?
- (Silêncio)
- Liga pra There e pergunta.
A There sabia o nome da gráfica e uma gráfica deve ter fachada né? É, mas essa era uma gráfica discreta. Ligamos no Guia Cidade.
- A gráfica fica na rua Tal, nº 569, senhora. Mais alguma informação?
- Não, obrigada. É no 596.
Nessa altura da história, o tempo já tinha virado nosso adversário. Um grande adversário em se tratando de um final de tarde. E da intenção de ir ao cinema às 18:30.
Na rua Tal, passamos umas cinco vezes em frente à quadra que ia do n° 520 ao 600 e que não tinha o nº 596. Ligamos de novo no guia cidade.
- Ah, é 569, não 596.
- Ah, agora não tem erro.
Mais umas cinco vezes passando em frente à quadra que ia do nº 520 ao 600 e que não tinha o nº 569.
- Espera! Esse nº é ímpar. É do outro lado.
Ainda bem que deu tempo de ir ao cinema. Sem lanche. E sem trailler. E o filme era bom.
Escrito por Xampu ou Condicionador às 09h49
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Desde que eu e a Rita resolvemos trabalhar juntas, nossos dias têm se transformado em verdadeiras comédias. Isso porque a gente tem bom-humor, senão o termo apropriado seria “tragédia”. (Tá bom, tô fazendo drama. É que deixa a história mais interessante.)
Digo isso porque desde mais ou menos o começo do ano, diversas situações imprevistas recheiam nosso dia-a-dia. Imprevistas porque a gente não presta atenção, claro!
O episódio em questão foi um dos primeiros. Finalmente íamos apresentar uma campanha para um cliente que a gente queria muito. Apesar de todos os imprevistos inimagináveis (entre eles atraso da impressão e quase bater o carro), chegamos em frente ao prédio da empresa na hora marcada.
Agora era só se concentrar, desejar boa sorte uma pra outra e entrar na reunião. Simples assim se as pessoas em questão não fossem a gente. Quando caminhávamos em direção à porta da empresa e nada mais parecia poder impedir a nossa entrada, apresenta-se mais um imprevisto:
- Ai, não, pisei num cocô.
- Quê?
- Pisei num cocô.
A Rita pisou num cocô. Caímos na gargalhada, talvez mais por nervosismo do que por achar engraçado mesmo. Poxa, a gente tinha se preparado tanto! Os layouts foram impressos em gráfica rápida, estavam bonitos e bem montados, apresentação na ponta da língua, concentração e aparece um cocô na nossa frente! (E a Rita ainda pisa!) Que injusto! Nenhuma de nós nunca pisou num cocô quando tava andando à toa na rua. Porque nesse dia? Porque nessa hora?
Tem gente que diz até que isso é sinal de sorte, mas isso não justifica a gente entrar na sala cheirando cocô. Por isso, a Rita precisou raspar o sapato na calçada por um bom tempo até garantir que não tinha sobrado nenhum resquício da substância que ela pisou. Porque era só o que faltava, depois de tanta dedicação, na hora da reunião, a sala do cliente ser infestada com cheiro de cocô!
Escrito por Xampu ou Condicionador às 12h32
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